sexta-feira, 24 de maio de 2013

O meu nome

Obs: Inspirado por Milla, "celeiro" da minha vocação.


Há palavras certas para dizer aquilo que somos? Não é a mesma coisa que descrever um estado de ânimo. Descobrir o nosso nome e o modo de o expressar às vezes pode ser um exercício que requer tempo, dias ou mesmo meses.

Qualquer coisa parecida com uma referência. Ou um nome divino de nós, ao qual regressamos cada dia e nos encontramos com esta linha que une a nossa história. As certezas acerca de nós próprios podem iludir-nos tantas vezes. A experiência de nos ser dado um nome que não escolhemos, como quando nascemos, é algo que nos acompanha sempre.

Quando Deus nos diz o nosso nome, percebemos uma força que alimenta os nossos modos de estar e de agir para com o mundo e as outras pessoas. O meu será coragem, ou vento, ou chuva, ou pedra... será aquilo a que fui chamado, como algo que tem uma missão única e completa.

Neto Quirino

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Vida Nova


Qual é a certeza que temos da ressurreição? Há uns anos atrás, era esta a minha questão principal. Às vezes, é bom pormos em questão as coisas que nos habituamos a acreditar sem nos termos perguntado o porquê. De fato, a ressurreição de Jesus não teve testemunhas, para além do grupo dos discípulos que depois tiveram algumas experiências de O terem visto vivo. Mas isso poderia ter sido qualquer ilusão...

Mas olhando a história simplesmente, dá-se conta que não houve nenhum movimento religioso que, no espaço de 50 anos, se tivesse espalhado por todo o mundo conhecido da altura. O que teria acontecido para que um grupo de homens e mulheres judeus, de baixa condição social, tivessem anunciado que alguém com quem contataram fisicamente tinha ressuscitado e este era o Filho de Deus? Na mentalidade judaica, isto era impensável. Além disso, este anúncio era feito no meio de perseguições e quase todos os apóstolos morreram mártires por causa disso. Deveria ter sido uma experiência de tal modo forte, que os obrigava a não estar calados, mesmo à custa da própria vida. Esta para mim é uma prova muito grande da ressurreição.

Mas o que isso poderá dizer-me hoje? Faz-me crescer num otimismo sem fim, acreditar que serei feliz e completo, apesar de tudo. A ressurreição não é uma espécie de momento mágico que apaga a dor e a tristeza. O corpo de Jesus ressuscitado tem as marcas da paixão. É toda a nossa história, e a história de cada dia que pode ser hoje, já, transformada em Vida Nova, com criatividade, entrega e desejo de nos superarmos. São estes os sinais mais claros que podemos viver já como ressuscitados.

Neto Quirino

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Departure place


Vivemos tantas vezes nesta fronteira do Essencial, na dificuldade de encontrar o chão seguro para por os nossos pés antes de voar. E encontramo-nos a saltar entre opções e momentos de Vida bonita, na avidez de que nada nos escape, há sempre tanto para mudar à nossa volta.

E em tantos compromissos que assumimos, nenhum acaba por ser o nosso único. Ou, explicando melhor, o compromisso definitivo no qual tudo se vive, não como mais um acrescento, mas como uma consequência.

E é tão fácil enchermo-nos de vazios coloridos e musicais... que nos fazem voar na fantasia, mas longe das raízes da alma.

Se no meu tempo tão disperso tiver lugar para encontrar todos os dias o meu ponto de origem, é sinal que os meus compromissos partem do meu rosto e não de uma pintura minha. E o meu rosto mais autêntico é compromisso com a Vida, e compromisso fiel às outras vidas... descobrir a verdade no Mundo.

Neto Quirino

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Viver de encantos


A admiração é o resultado de uma surpresa positiva. Quando algo nos invade com uma luz que desperta em nós ecos de histórias passadas e que nos orienta para coisas muito fundamentais. Muitas vezes, estas surpresas são sinal de que se foi criando um espaço para disposições, mesmo de forma pouco calculada.

O desejo é um dos maiores mistérios para mim. Entre o apetecer coisas imediatas e o desejar coisas que hão-de vir, movo-me muitas vezes entre o estar realizado e o estar incompleto. Parece-me, porém, que o desejar é já uma forma de plenitude, como um caminho que está a começar.

Desejamos coisas muito boas para nós. A maior delas devia ser a santidade. Então se desejas ser santo, começa já a sê-lo. O caminho começou. Talvez seja isto um pouco o Advento. Recordar uma iniciativa surpreendente, Deus entre nós, e isto, se pensarmos bem, é uma enorme surpresa. É um verdadeiro encanto este fascínio de Deus pelas nossas coisas.
Neto Quirino

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Só eu e Deus


Eu não tenho jeito pra rezar, não sei falar como um santo falaria.
Palavras me resumem e me prendem no mesmo lugar. Em silêncio, eu voaria.
E quanto mais me enfeito mais eu me disfarço, falo coisas que eu não quero, palavras que eu não penso.
Orações bonitas de um fariseu que, entre salmos e provérbios se perdeu.
Quero uma oração simples como o ar. Quero conversar coração a coração.
Sem palavras ou rimas complicadas, só eu e Deus, eu e Deus.
Eu já tentei, há tempos enfeitar, incrementar,, disfarçar a minha voz.
Com rimas, versos e palavras eu não sei ser eu sem te falar de coração quando eu erro e preciso de perdão.
E quanto mais me enfeito mais eu me disfarço, falo coisas que eu não quero, palavras que eu não penso. Orações bonitas de um fariseu que, entre salmos e provérbios se perdeu.
Quero uma oração simples como o ar. Quero conversar coração a coração.
Sem palavras ou rimas complicadas, só eu e Deus, eu e Deus.
Se palavras me faltam, prefiro calar.

Oração Simples - Bruno Camurati

https://www.youtube.com/watch?v=WtWZDkIhEGk

terça-feira, 18 de setembro de 2012

De regresso!


Como se os pensamentos fossem montanhas altas que repousam para além de planícies paradas... trazem sombras de nuvens a correr com o vento. E fica difícil agarrar coisas que fossem importantes para dizer agora, as que soassem como a música certa para o momento.

Um tempo de ausência. Grande, com a falta que me faz. Talvez por ter um coração cheio de experiências e pouco tempo para as ver deslizar calmamente para uma tela onde pudesse pintar aquilo que ficou. É agora o tempo de deixar emoções presas a momentos e encontrar verdades construídas, pouco a pouco, entre alguns vazios e outros momentos insuportavelmente cheios.

Seria a caneta que escreve de novo em papel que se deixou acariciar pelo pó... que soube esperar. Ouve-se a porta a bater, passos apressados, um cadeira que se arrasta, suspiro, ouve-se música de fundo. Começou um ano de reconquista de desejos de perfeição. Aquilo que marca a perfeição é que nunca está completa, senão, seria apenas um espelho para o qual posso olhar, mas brilha tanto de mim que mal me posso observar. É preciso uma luz suave, a calma de ser verdadeiro, o gosto de ser grande.

Neto Quirino

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dos inícios


Um recomeço tem tanto de promessa como de risco. Marca-se um compromisso, afinal é aquilo que define o que fazemos. Escrever para mim é um exercício de libertação, gostaria até de o fazer mais vezes.
Talvez possa dizer que desta vez é que é. Mas podemos voltar insistentemente ao mesmo, recusando fazer o que devia ser feito, não por vontade própria, mas porque vamos deixando andar. E dizemos que é falta de tempo, falta de inspiração, porque não chegou o momento... mas se esperamos o momento ideal, pomos cinzento em vez de cores, espera em vez de realização e deserto em vez de caminho feliz.
Um recomeço não é só uma força de vontade, é muito mais que isso. É convencermo-nos que somos capazes. No fundo uma experiência de acreditar em nós mesmos revela o amor que nos olha sempre e desde sempre.
 
Neto Quirino