terça-feira, 24 de setembro de 2013

Outono

*pro Show Pérolas


Quando saí de casa hoje, encontrei um daqueles dias de outono, com um sol e calor algo raros nesta época do ano. As cores das casas, das árvores e da luz. Esta cidade tem as cores do outono. Sem querer, fui-me deixando levar por pensamentos que desaceleravam e...
Me dei conta de que não existem muitas palavras que possam exprimir a importância que temos no conjunto de tudo o que existe. Como se os nossos pés fossem desenhando linhas vistas desde o céu. Fazemos caminhos confusos e raramente seguimos exatamente por onde uma vez tínhamos viajado. Cada movimento nosso é carregado de uma surpresa que vai sem retorno.
Temos medo do definitivo, apesar de jurarmos amor vezes sem conta. Porque sabemos do que somos feitos, de como não somos nós diante de nós mesmos. Custa-nos deixar cair mentiras e ficar despidos na mais pura verdade. Assim expostos, não nos defendemos, nem temos para onde fugir. Amamos e odiamos as mesmas coisas, queremos perder e ao mesmo tempo agarrar com todas as forças que temos. Como se perder fosse o fim da própria vida.
Porque é que o outono é assim tão fascinante? Quer a natureza despedir-se no seu maior esplendor, vestir-se de ouro e luz de diamantes só para anunciar um regresso depois do frio? E assim nos vestimos com a mesma cor do fim, e nos deixamos andar sem sair do mesmo lugar?
A esperança não desilude. Tal como o amor move montanhas, apaga noites e destrói distâncias. Acabamos sempre, quando assim o quisermos, por dizer amor em gestos concretos. Se somos Beleza de Outono, é porque seremos Vida de Primavera.
É tempo de recomeçar...
Neto Quirino

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Além do desconhecido


O horizonte fascina-me. Não há nenhum lugar que mais me impressione interiormente que a planície. É um lugar ao mesmo tempo desértico e completo, com uma energia pacífica que consola e faz viajar além do que se vê. A montanha traz curiosidade, faz perguntar o que estará depois dela. A planície, pelo contrário mostra o conhecido, mas é um horizonte imenso que se vê, mas não acaba.

O caminho por entre a planície é uma metáfora de uma vida que sempre procurou alargar os próprios horizontes. Por entre poucas novidades, mas na confiança de que cada passo acrescenta um olhar novo ao que se conhece. E é tão importante ver quanto caminhar, são pequenas certezas construídas e nunca acabadas.

Não ser perfeito desgasta quem se arrasta incoerentemente por um  caminho que é obrigatório fazer. Aquilo que conhecemos não é suficiente para ficarmos instalados sem querer saber coisas novas. Um excesso de conhecimento é uma fantasia, fala apenas da parte mais pequena da vida. É o desconhecido além do horizonte que motiva o caminho livre e desprendido. Se formos capazes de alguma perfeição, então o grande sinal está na vontade com que ultrapassamos os próprios limites. E acredito que nisto somos perfeitos.

Neto Quirino

quarta-feira, 12 de junho de 2013

[...] te dar o meu coração, esta é minha vocação...

12/06/13 - 00:00h.

Posso dizer que fui o primeiro namorado a se declarar para sua amada neste dia!
"O amor tem a extraordinária capacidade de nos fazer "deixar andar", sem pensarmos muito nas consequências. Confiamos ingenuamente, perdemos tempo com tesouros que não custam ganhar. É felicidade e exigência. Quando a verdade do nosso bem faz bem, estamos entusiasmados. O amor é esta extraordinária capacidade de não sermos donos do tempo, nem de nós e, sobretudo, dos outros." Neto Quirino
Obrigado por estar ao meu lado e ser esta pessoa tão especial com quem compartilho minha vida. Minha furuta esposa. [...] te dar o meu coração, esta é minha vocação...
EU TE AMOO LINDAAA!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Da amizade


Da amizade não se pode dizer muito sem correr o risco de perder coisas importantes. Uma amizade é bonita, é das coisas mais preciosas que temos. Quando procuramos olhar apenas para a nossa paisagem, vemos que esta seria um deserto se não soprassem nela ventos de partilha e rios de confiança.

Se podemos considerar a nossa paisagem como um jardim, então veremos árvores plantadas com paciência, frutos que alegram o corpo e a alma. As amizades são sementes novas do nosso jardim, ajudam a tirar as pedras de um terreno a que somos já demasiado habituados, e a transformá-lo em solo fértil onde haja uma esperança muito concreta.

Na amizade, esta esperança está intimimamente ligada à confiança. Porque acredito em ti, confio que serás maior do que alguma vez pudeste imaginar. Tal como conhecer-te me fez ficar maior. Precisariamos recordar isto mais vezes...

PS:É bom sorrir quando se pensa em alguém. É preciso ser muito livre para ser amigo! Feliz aniversário minha amiga! Amooo!!!
Neto Quirino

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O meu nome

Obs: Inspirado por Milla, "celeiro" da minha vocação.


Há palavras certas para dizer aquilo que somos? Não é a mesma coisa que descrever um estado de ânimo. Descobrir o nosso nome e o modo de o expressar às vezes pode ser um exercício que requer tempo, dias ou mesmo meses.

Qualquer coisa parecida com uma referência. Ou um nome divino de nós, ao qual regressamos cada dia e nos encontramos com esta linha que une a nossa história. As certezas acerca de nós próprios podem iludir-nos tantas vezes. A experiência de nos ser dado um nome que não escolhemos, como quando nascemos, é algo que nos acompanha sempre.

Quando Deus nos diz o nosso nome, percebemos uma força que alimenta os nossos modos de estar e de agir para com o mundo e as outras pessoas. O meu será coragem, ou vento, ou chuva, ou pedra... será aquilo a que fui chamado, como algo que tem uma missão única e completa.

Neto Quirino

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Vida Nova


Qual é a certeza que temos da ressurreição? Há uns anos atrás, era esta a minha questão principal. Às vezes, é bom pormos em questão as coisas que nos habituamos a acreditar sem nos termos perguntado o porquê. De fato, a ressurreição de Jesus não teve testemunhas, para além do grupo dos discípulos que depois tiveram algumas experiências de O terem visto vivo. Mas isso poderia ter sido qualquer ilusão...

Mas olhando a história simplesmente, dá-se conta que não houve nenhum movimento religioso que, no espaço de 50 anos, se tivesse espalhado por todo o mundo conhecido da altura. O que teria acontecido para que um grupo de homens e mulheres judeus, de baixa condição social, tivessem anunciado que alguém com quem contataram fisicamente tinha ressuscitado e este era o Filho de Deus? Na mentalidade judaica, isto era impensável. Além disso, este anúncio era feito no meio de perseguições e quase todos os apóstolos morreram mártires por causa disso. Deveria ter sido uma experiência de tal modo forte, que os obrigava a não estar calados, mesmo à custa da própria vida. Esta para mim é uma prova muito grande da ressurreição.

Mas o que isso poderá dizer-me hoje? Faz-me crescer num otimismo sem fim, acreditar que serei feliz e completo, apesar de tudo. A ressurreição não é uma espécie de momento mágico que apaga a dor e a tristeza. O corpo de Jesus ressuscitado tem as marcas da paixão. É toda a nossa história, e a história de cada dia que pode ser hoje, já, transformada em Vida Nova, com criatividade, entrega e desejo de nos superarmos. São estes os sinais mais claros que podemos viver já como ressuscitados.

Neto Quirino

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Departure place


Vivemos tantas vezes nesta fronteira do Essencial, na dificuldade de encontrar o chão seguro para por os nossos pés antes de voar. E encontramo-nos a saltar entre opções e momentos de Vida bonita, na avidez de que nada nos escape, há sempre tanto para mudar à nossa volta.

E em tantos compromissos que assumimos, nenhum acaba por ser o nosso único. Ou, explicando melhor, o compromisso definitivo no qual tudo se vive, não como mais um acrescento, mas como uma consequência.

E é tão fácil enchermo-nos de vazios coloridos e musicais... que nos fazem voar na fantasia, mas longe das raízes da alma.

Se no meu tempo tão disperso tiver lugar para encontrar todos os dias o meu ponto de origem, é sinal que os meus compromissos partem do meu rosto e não de uma pintura minha. E o meu rosto mais autêntico é compromisso com a Vida, e compromisso fiel às outras vidas... descobrir a verdade no Mundo.

Neto Quirino

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Viver de encantos


A admiração é o resultado de uma surpresa positiva. Quando algo nos invade com uma luz que desperta em nós ecos de histórias passadas e que nos orienta para coisas muito fundamentais. Muitas vezes, estas surpresas são sinal de que se foi criando um espaço para disposições, mesmo de forma pouco calculada.

O desejo é um dos maiores mistérios para mim. Entre o apetecer coisas imediatas e o desejar coisas que hão-de vir, movo-me muitas vezes entre o estar realizado e o estar incompleto. Parece-me, porém, que o desejar é já uma forma de plenitude, como um caminho que está a começar.

Desejamos coisas muito boas para nós. A maior delas devia ser a santidade. Então se desejas ser santo, começa já a sê-lo. O caminho começou. Talvez seja isto um pouco o Advento. Recordar uma iniciativa surpreendente, Deus entre nós, e isto, se pensarmos bem, é uma enorme surpresa. É um verdadeiro encanto este fascínio de Deus pelas nossas coisas.
Neto Quirino

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Só eu e Deus


Eu não tenho jeito pra rezar, não sei falar como um santo falaria.
Palavras me resumem e me prendem no mesmo lugar. Em silêncio, eu voaria.
E quanto mais me enfeito mais eu me disfarço, falo coisas que eu não quero, palavras que eu não penso.
Orações bonitas de um fariseu que, entre salmos e provérbios se perdeu.
Quero uma oração simples como o ar. Quero conversar coração a coração.
Sem palavras ou rimas complicadas, só eu e Deus, eu e Deus.
Eu já tentei, há tempos enfeitar, incrementar,, disfarçar a minha voz.
Com rimas, versos e palavras eu não sei ser eu sem te falar de coração quando eu erro e preciso de perdão.
E quanto mais me enfeito mais eu me disfarço, falo coisas que eu não quero, palavras que eu não penso. Orações bonitas de um fariseu que, entre salmos e provérbios se perdeu.
Quero uma oração simples como o ar. Quero conversar coração a coração.
Sem palavras ou rimas complicadas, só eu e Deus, eu e Deus.
Se palavras me faltam, prefiro calar.

Oração Simples - Bruno Camurati

https://www.youtube.com/watch?v=WtWZDkIhEGk

terça-feira, 18 de setembro de 2012

De regresso!


Como se os pensamentos fossem montanhas altas que repousam para além de planícies paradas... trazem sombras de nuvens a correr com o vento. E fica difícil agarrar coisas que fossem importantes para dizer agora, as que soassem como a música certa para o momento.

Um tempo de ausência. Grande, com a falta que me faz. Talvez por ter um coração cheio de experiências e pouco tempo para as ver deslizar calmamente para uma tela onde pudesse pintar aquilo que ficou. É agora o tempo de deixar emoções presas a momentos e encontrar verdades construídas, pouco a pouco, entre alguns vazios e outros momentos insuportavelmente cheios.

Seria a caneta que escreve de novo em papel que se deixou acariciar pelo pó... que soube esperar. Ouve-se a porta a bater, passos apressados, um cadeira que se arrasta, suspiro, ouve-se música de fundo. Começou um ano de reconquista de desejos de perfeição. Aquilo que marca a perfeição é que nunca está completa, senão, seria apenas um espelho para o qual posso olhar, mas brilha tanto de mim que mal me posso observar. É preciso uma luz suave, a calma de ser verdadeiro, o gosto de ser grande.

Neto Quirino

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dos inícios


Um recomeço tem tanto de promessa como de risco. Marca-se um compromisso, afinal é aquilo que define o que fazemos. Escrever para mim é um exercício de libertação, gostaria até de o fazer mais vezes.
Talvez possa dizer que desta vez é que é. Mas podemos voltar insistentemente ao mesmo, recusando fazer o que devia ser feito, não por vontade própria, mas porque vamos deixando andar. E dizemos que é falta de tempo, falta de inspiração, porque não chegou o momento... mas se esperamos o momento ideal, pomos cinzento em vez de cores, espera em vez de realização e deserto em vez de caminho feliz.
Um recomeço não é só uma força de vontade, é muito mais que isso. É convencermo-nos que somos capazes. No fundo uma experiência de acreditar em nós mesmos revela o amor que nos olha sempre e desde sempre.
 
Neto Quirino

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Motivação


Nem sempre encontramos a motivação certa para nos dedicarmos de alma e coração àquilo que é mais importante em dado momento da vida. No fundo, ficamos com uma sensação de ficar aquém do esperado, por não vermos resultados imediatos, ou porque as coisas têm sempre algum imprevisto.

A motivação nasce de uma certeza que queremos fazer determinado caminho. As metas do nosso esforço, por mais longínquas que sejam, exigem-nos perseverança. É fácil motivarmo-nos a curto prazo, mas quando é algo mais distante, damo-nos conta que o entusiasmo tem altos e baixos.

O mais importante é podermos ter, em relação a nós mesmos, uma espécie de confiança e fé. Acreditar que algo se constrói diariamente quando cumprimos a pequena parte do esforço de cada dia. Não vivemos apenas de grandes realizações, aliás, estas são bastante raras... a qualidade joga-se em coisas bastante mais pequenas.
 
Neto Quirino

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os pequenos tesouros



Ando meio cansado depois de uns dias vazios. Talvez por estar vazio por dentro, onde as emoções fugiam sem querer encontrar um lugar próprio, onde dessem cor aos sentimentos.

Há dias em que nada nos prende, fica-se só com a lista das coisas para fazer, que vou cumprindo de modo automático. Mas sem fazer disso uma experiência de desolação, perceber tudo como movimentos da alma que levem à sublimidade da Vida e daquilo que escolhi para ela.

Apeteceu-me tirar as memórias das estantes, onde se foram acumulando como peças de museu. Que visito nos dias de nostalgia, em que me apetecia deixar tudo e sair pelo mundo com o essencial às costas.

E fui enchendo as novas memórias do que acontece todos os dias. Não cabem em mim as surpresas dos pequenos instantes... quase tão impossíveis como tocar o Absoluto. Que se pressente, baixinho, sempre, como a brisa.

Neto Quirino

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ser pleno?


Acredito firmemente que a nossa Vida é tocada de eternidade. Temos todos na nossa história pessoal aqueles momentos que resumem anos de procura e conhecimento. Em que podemos dizer que foi o dia em que me tornei uma outra pessoa, ou que mudou a minha vida. Também os momentos que marcam definitivamente pela negativa, que impuseram rupturas e decisões dolorosas. Em tudo isto há uma dimensão de qualquer coisa de definitivo que pode ser tão libertador, iluminador ou tão destruidor.

Por isso temos sempre atrás e à nossa frente um caminho complexo. Que procuramos que seja pleno, em que tudo seja linear e óbvio... e descobrimos que o que não abunda são as respostas fáceis.

Uma vida plena, não é uma vida cheia...aliás as nossas agendas super preenchidas falam-nos mais de vento do que de mar. A plenitude está em pôr uma cor dentro dos meus espaços vazios, ou cinzentos. Que ainda por cima são espaços que nem sei como os preencher. Talvez seja este o desafio e a surpresa: de deixar que sejam pintados por Outro que sabe muito mais de mim e da minha Vida que eu próprio... E a confiança assim gratuita não é fácil, porque teimo sempre em ser dono de mim.

Neto Quirino

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

É loucura? (mês das vocações)

Tenho vivido alguns momentos muito especiais de encontro com coisas fundamentais da minha vida.
Tenho sobretudo pensado acerca do que significa ser chamado ou, por outras palavras, a Vocação.
Ao olhar para estes anos, consigo ver sempre os mesmos momentos chave, em que fui sentindo que realmente era chamado a ser de Jesus.
Mas agora, com mais tempo, vou me dedicando a olhar para aqueles dias e momentos em que não fui tão atento... e fui descobrindo o seguinte:
  • Que realmente, parece uma loucura este tipo de vida.
  • Que a Vocação nasce de um desejo sutil e sempre incessante, que não termina enquanto não se decide a dar um sim para toda a Vida.
  • Que a Vocação se vive cada dia, todos os dias, numa amizade cada vez mais completa com Deus.
  • E, por último, que a maior graça foi ter sido chamado a esta Vida, por verdadeiramente ter sido escolhido. 

Decidir a própria vida por Jesus, é ter a certeza que temos um caminho de uma profunda realização humana, porque somos escolhidos para uma vida total. Seja ela qual for.
Um padre terá de rezar, um pai de família terá de educar os seus filhos, uma namorada terá de cuidar do namorado, o amigo terá de amparar o amigo. No fundo, cada homem e mulher tem a Vocação para Amar.
E esta não nasce de coisas incompletas, nasce do mais divino que temos em nós. Uma vez dito o Sim, porque a Jesus só vale a pena dizer sim, a vida tem um sentido cada vez mais pleno, mas cuidado como a coisa mais preciosa, dia-a-dia.

Neto Quirino

terça-feira, 31 de julho de 2012

Luz escondida


Aí onde quero ficar, numa procura incompleta que por si mesma já realiza. Percebemos, pouco a pouco, como a fragilidade pode ser a nossa arma mais poderosa. Quem vive em castelos de vento, percebe um dia como o nada pode tocar a Vida de uma forma avassaladora.

E é aí que o caminho se abre à riqueza mais pessoal. Onde se tiram forças de onde não se pensava que existissem. Talvez porque a força vem cá de dentro, bem mais fundo que o chão que tocamos.

Por saber que a força está num dom enorme que vem de longe e vem de sempre. Uma luz escondida que brilha quando todo o resto se apaga. E é esta a mesma de um nascer do sol, a oportunidade de recomeçar, sair e viajar.

Neto Quirino

sábado, 14 de julho de 2012

Conformismo? ... Nem por isso!


Há acontecimentos que são tão habituais na nossa vida. E memórias que nos vão levando nos anos, que deixam de nos impressionar como no primeiro momento, mas que trazem sempre as mesmas sensações, vistas com outra experiência.

Esta imagem da bola no telhado é uma das mais recorrentes da minha infância. Uma linda tarde de jogo acabava subitamente num espectáculo de olhar para um telhado, e já farto de atirar pedras a ver se resolvia o problema, até que se fazia noite.

E passam as semanas e o espectáculo desiludido do acessível inacessível permanece. Mas a vida continua, até que uma bola nova e mais bonita faz esquecer a antiga.

E são estas as emoções pequenas da Vida. Particulares de uma existência que se vai afastando do impossível e que se quer centrar cada vez mais em abraços mais completos e mais reais. E horizontes acima dos telhados das casas. Para o Mundo, para um Universo chamado a ser transformado pela criatividade que me foi confiada.

É de alguma maneira participar de uma Criação impossível para as minhas forças, mas capaz de ser verdadeira quando é muito sincera em gestos pequenos de fazer o Bem.

Neto Quirino

terça-feira, 22 de maio de 2012

O que sou



Hoje gostaria de me tentar convencer a mim mesmo que a perfeição não é um trabalho e uma luta constantes. Custa a acreditar que a meta está próxima, quando cada dia nos damos conta que alguma parte de nós perdeu algo importante. Não avançamos completos, mas no esforço de trazer atrás de nós pedaços de Vida que gostaríamos de ter deixado para trás há muito tempo.


A minha casa é o lugar onde posso arrumar as coisas como quero. Deixo as obras de arte na prateleira, os diplomas na parede e as coisas feias escondidas em caixas debaixo da cama. Convivo entre ilusões e poucas coragens, para ver tudo e abrir cada significado da Vida. Uma casa bem arrumada pode implicar escondimento, ambientes de visita, mostrar o que sou, mas não tudo.


Porém, não consigo esquecer aquilo que escondo e cada dia desejo ir lá, tirar para a luz, limpar, colocar no centro da mesa. E perguntar: porque te assustas? Temos medos muito ridículos, quando não sabemos olhar com gestos corajosos e uma alma enorme. Perfeito. Não sei porque não posso admitir que o sou. Nada é pesado, nada é feio, nada fica escondido, se... se quiser que todos os pedaços de mim sejam meus, e se quiser que toda a luz que tenho ilumine.


Como a luz do sol, que acaricia todas as coisas.

Neto Quirino

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Essencial ou prioridade?

Segundo penso, a vida é para viver no essencial. Quando conseguimos estar por inteiro em tudo o que fazemos, mesmo nas tarefas mais insignificantes da vida, julgo que cumprimos verdadeiramente com o objetivo que nos trouxe aqui.
Um abraço! 
 
 
Uma das maiores dificuldades que podemos sentir no dia-a-dia é a gestão do nosso tempo. Parece sempre que não tivemos tempo para tudo, e que perdemos imenso tempo com coisas que não interessavam. Por vezes, podemos cair no risco de transformar algo muito importante que temos de fazer, seja a oração, seja uma atividade específica, num ponto a cumprir no calendário. E chamamos a isso prioridade.

Mas uma prioridade está ligada profundamente ao essencial. E o essencial não pode ser reduzido a um tempo ou algo a cumprir. É uma atitude de fundo. Vivo o essencial em tudo, e não só nas coisas importantes. É pouco se vivermos o essencial apenas em momentos privilegiados do dia. Se o essencial é o motor de todas as nossas acções, então é um dinamismo que atravessa o nosso dia.

As prioridades são mais exteriores, toques essenciais mais explícitos da ação. Na gestão do tempo é importante não deixar de os ter e procurar. A dificuldade está em tornar essencial aquilo que não é explícito. Mas aí é que se mostra a qualidade da nossa existência, se estamos todos em tudo.

Neto Quirino

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Espera e simplicidade


Sobre a missão de domingo com o meu Ministério...

Nos dias que antecedem momentos grandes da nossa Vida, costumamos sentir alguma ansiedade, para que tudo corra bem, para que estejamos à altura do momento, que seja o melhor dia das nossas Vidas.

Mas é curioso que acabo por pensar que um momento bonito e especial é uma continuação, um continuar a caminhar, um começo mais que uma chegada. É chegar a uma nova paisagem sem ter nada conhecido, mas estar aberto a uma surpresa que ultrapasse todos os cálculos, aquilo que é previsto ou suposto.

É com os pequeninos que se aprende a saborear aquilo que a Vida nos dá e a forma como somos construídos em luz, amor e generosidade. É maravilhoso dar-se conta de como somos privilegiados, como nos é dado tanto mais do que merecemos e como nos resta aceitar com olhar feliz aquilo que acontece.
 
Neto Quirino